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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Farol inteligente deixa chuva invisível

Farol inteligente deixa chuva invisível 1

Se dirigir à noite já apresenta sérias dificuldades de visibilidade, dirigir à noite com chuva pode ser um desafio.

Em vez de iluminar a estrada, a luz dos faróis dispersa-se ao atingir as gotas de chuva e a água no asfalto - pior do que isso, só quando vem outro carro em sentido contrário.

Mas uma solução está a caminho.

Farol inteligente

Engenheiros da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, descobriram uma forma de redirecionar continuamente a luz dos faróis, para que os raios de luz passem entre as gotas de chuva, evitando grande parte da reflexão.

"Se você estiver dirigindo sob uma tempestade, os faróis inteligentes farão com que ela pareça uma garoa," garante o Dr. Srinivasa Narasimhan.

O mais interessante é que o Dr. Narasimhan descobriu como contornar as gotas de chuva quando ele desenvolvia uma tecnologia para projetar imagens em cortinas de água.

Imagens 3D interativas são projetadas em cortinas de água Descoberto como acertar as gotas, desviar delas foi uma questão de inverter o raciocínio e o funcionamento do equipamento.

Farol antichuva

O farol inteligente usa uma câmera para rastrear o movimento das gotas de chuva, ou dos flocos de neve.

Farol antichuva

As imagens são processadas continuamente por um algoritmo que prevê onde cada uma das gotas estará apenas uns poucos milissegundos mais tarde.

À esquerda, a chuva simulada iluminada por um farol normal; à direita, uma precipitação idêntica, iluminada pelo farol antichuva. [Imagem: Narasimhan Lab/CMU] O sistema de farol inteligente antichuva então ajusta-se rapidamente em resposta a esses cálculos, desativando os feixes de luz que incidiriam sobre as gotas de chuva ou flocos de neve nas suas novas posições previstas.

"Um olho humano não é capaz de ver o piscar dos faróis," garante Narasimhan. "E como as partículas em precipitação não são iluminadas, o motorista nem mesmo verá a chuva ou a neve."

Para o olho humano, as gotas de chuva parecem linhas alongadas de água caindo em direção ao chão. Mas, para uma câmera infravermelha, elas são gotas bem pequenas e independentes, com um bocado de espaço entre elas.

Assim, segundo o pesquisador, o sistema nem mesmo precisa ser tão rápido para conseguir redirecionar os feixes de luz para os espaços vazios.

Chuva invisível

Nos testes em laboratório, o protótipo do sistema conseguiu prever a posição das gotas de chuva e ajustar o farol em 13 milissegundos.

Extrapolando esses resultados, prevê-se que, em um veículo em baixa velocidade, o sistema irá eliminar até 80% da chuva visível durante uma tempestade muito forte, ao custo de 5 a 6% de perda da iluminação do farol.

Os cientistas calculam que, para ser útil nas velocidades reais com que os carros trafegam em uma rodovia será necessário aprimorar o sistema até que ele alcance por volta de 5 milissegundos.

Eles já estão trabalhando nisso, assim como na construção de um dispositivo compacto, que possa ser instalado em um carro para testes reais.

Luz baixa automática

Outro benefício do sistema é que a câmera poderá detectar os veículos vindo em sentido contrário, eliminando os raios de luz que se dirigem na direção dos olhos do outro motorista.

Isso acabará com a necessidade de ficar alternando entre luz alta e luz baixa.

"Outra coisa boa desse sistema é que ele nunca falhará de forma catastrófica. Se tudo parar de funcionar, ele continuará sendo um farol normal," disse Narasimhan.

Verme vive melhor no espaço que na Terra

Verme vive melhor no espaço que na Terra

Disposição de verme

Os astronautas regressam à Terra enfraquecidos e trêmulos, devido aos efeitos da ausência de gravidade e da radiação no espaço.

Mas um pequeno verme, um nematoide, não só volta muito bem, como vive muito bem por lá - eventualmente pode até viver mais do que aqui embaixo.

Quando o astronauta da ESA André Kuipers foi pela primeira vez para a Estação Espacial Internacional, ele levou um experimento contendo vermes microscópicos, da espécie Caenorhabditis elegans.

O experimento foi projetado por uma equipe internacional de cientistas, dos Estados Unidos, Japão, França e Canadá, que estavam interessados em ver como o C. elegans reagiria à vida no espaço.

Esta espécie foi escolhida por se tratar do primeiro organismo multicelular cujo genoma foi mapeado por completo. Ele é largamente utilizado em experimentos científicos.

Genes da gravidade

A princípio, os cientistas descobriram que o verme-astronauta desenvolvia menos proteínas tóxicas nos músculos do que se tivesse ficado em terra.

Eles ficaram intrigados, e investigações posteriores revelaram que sete genes do nematoide ficavam inativos no espaço.

Aparentemente, a ausência de gravidade impedia a ação normal desses genes.

E, surpreendentemente, os vermes pareciam viver melhor sem eles.

Foi necessário então verificar o que aconteceria se os mesmos genes fossem desligados no laboratório, aqui embaixo.

Os cientistas então descobriram que os vermes que cresciam sem os sete genes também viviam mais e eram mais saudáveis.

"Os músculos tendem a encolher no espaço. Os resultados deste estudo sugerem que os músculos estão se adaptando, em vez de reagirem involuntariamente às condições do espaço," afirma Nathaniel Szewczyk, cientista que participa do projeto.

"Ao contrário do que seria de esperar, os músculos no espaço podem envelhecer melhor do que na Terra. Também pode ser que o voo espacial atrase o processo de envelhecimento," teoriza ele.

Você é um astronauta ou um verme?

O homem compartilha 55% dos genes com o C. elegans, por isso o próximo passo será analisar a resposta dos músculos humanos à permanência no espaço.

O astronauta da ESA, André Kuipers, terminou a sua segunda missão à Estação Espacial Internacional no último dia 1 de julho, aterrando nas estepes do Cazaquistão.

Nesta missão, ele levou mais vermes para continuar a investigação, mas, desta vez, o próprio astronauta também foi estudado.

Antes do início da missão, foi coletada do astronauta uma pequena porção de músculo da perna, que foi guardada para análise. Agora, depois de seis meses, os cientistas estão ansiosos por ver como os seus músculos reagiram ao voo espacial.

Mas, ao contrário dos vermes, ele terá a oportunidade de descansar por umas semanas, antes de os cientistas começarem a espreitar seus músculos ao microscópio.

Hubble descobre quinta lua de Plutão

Hubble descobre quinta lua de Plutão

Pequeno, mas enluarado

  • Utilizando imagens do telescópio espacial Hubble, um grupo de astrônomos descobriu a quinta lua do planeta anão Plutão.
  • Embora as imagens não sejam muito claras, os pesquisadores estimam que a lua tenha um formato irregular, medindo entre 9,5 e 24 quilômetros de extensão.
  • Ela circunda Plutão em uma órbita circular com 93.000 km de diâmetro, aparentemente no mesmo plano das outras quatro luas já conhecidas do planeta anão.

Órbitas aninhadas

"As luas formam uma série de órbitas perfeitamente aninhadas, parecidas com bonecas russas," disse Mark Showalter, do Instituto SETI, líder da equipe.

  • A equipe se disse intrigada em como um planeta tão pequeno pode ter uma coleção tão complexa de satélites.
  • A teoria mais aceita é que todo o sistema é resultado de uma colisão entre Plutão e outro grande objeto do Cinturão de Kuiper, ocorrida provavelmente há bilhões de anos.
  • A descoberta significará mudanças de planos na rota da sonda espacial Novos Horizontes, da NASA, que deverá chegar a Plutão em 2015.

Luas de Plutão

  • A maior lua de Plutão, Charon, foi descoberta em 1978.
  • Em 2006, o telescópio Hubble descobriu as luas de Plutão de números dois e três: Nix e Hidra.
  • Em 2011, foi a vez a P4, a quarta lua de Plutão, também descoberta pelo Hubble.
  • A quinta lua de Plutão está sendo provisoriamente chamada de P5.

sábado, 14 de julho de 2012

O vislumbre do Boson de Higgs

Higgs boson

A declaração da descoberta no grande Colisor de Hádrons de uma nova partícula, candidata ao papel de Boson de Higgs, foi feita oficialmente a 4 de julho. A novidade foi largamente comentada no 62º Encontro de Laureados do Prémio Nobel com jovens cientistas em Lindau (Alemanha). Em regime de teleconferência realizou-se um debate aberto, onde participaram David Gross, Carlo Rubbia, Martinus Veltman, George Smoot, Felicitas Pauss e quatro colaboradores do CERN. Todos os participantes concordaram com a importância excecional do resultado obtido.

Mas será que se pode considerar que a partícula registada é precisamente a que se procurava? É que os resultados obtidos, apesar da sua grande fiabilidade, ainda são insuficientes. Os representantes do CERN dizem que conseguiram registar um novo boson, parecido com o bosão de Higgs, mas precisamos de uma maior estatística para estudar as suas propriedades.

Para recolher a estatística necessária há tempo só até ao fim do ano. Depois, o Grande Colisor de Hádrons vai parar por dois anos. Nos próximos meses, porém, os colaboradores do CERN esperar determinar o seu spin (um dos parâmetros das partículas elementares) com uma probabilidade bastante elevada.

O boson de Higgs é uma partícula especial no Modelo Padrão da física de partículas. A sua existência permite explicar como as outras partículas obtêm a sua massa. O problema é que até agora não se conseguia detetá-lo experimentalmente. Só por si isso não era suficiente para pôr em causa o Modelo Padrão, mas era uma fonte de preocupação.

As experiências irão continuar. Carlo Rubbia propôs construir um novo colisor que iria fazer colidir não os protões, mas os muões. Esse dispositivo, cujo propósito principal seria o estudo das propriedades do boson de Higgs, seria relativamente barato e muito eficaz. David Gross concordou, fazendo notar esse projeto podia ser um bom projeto para os EUA. Carlo Rubbia comparou a descoberta do boson de Higgs com as anteriores descobertas dos bosões W e Z, transmissores da interação fraca. O facto de se ter descoberto agora o boson de Higgs é extremamente importante, porque deu um estímulo assinalável para a continuação dos trabalhos tanto dos teóricos, como dos experimentadores.

Mesmo que as propriedades da nova partícula não coincidam com as previstas no Modelo Padrão, isso seria um sinal de que a teoria necessita de aperfeiçoamento.

A informação oficial sobre o 62º Encontro de Laureados do Prémio Nobel em Lindau pode ser consultada no síte www.lindau-nobel.org

Humanos irão procriar de novas maneiras

СОБОЛЕВСКИЙ ПРОБИРКИ

Mutações desfavoráveis estão se acumulando na humanidade atual numa progressão geométrica, o que provoca a sua degeneração. Para sobreviver, nós teremos de alterar o método de procriação, considera o conhecido professor americano Michael Reimers do Instituto de Genética Comportamental que visitou Moscou com uma série de palestras. Na opinião do professor, todas as esperanças residem na engenharia genética.

Hoje isso pode provocar protestos, mas daqui a 10 ou 20 anos nós não teremos outra saída. Teremos de procriar in vitro. Teoricamente, as crianças do futuro serão saudáveis e inteligentes. Existe um único perigo sério, reconhece Reimers, visto que certamente serão considerados como ideais determinados genes em concreto, a humanidade se tornará praticamente toda igual de uma forma bastante rápida.

Cientistas criam fluido para esfriar baterias de carro elétrico

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Cientistas na Alemanha desenvolveram um novo fluido para esfriar as caras baterias de carros elétricos e estender o tempo de vida útil delas, outro potencial passo para melhorar o custo-benefício da propulsão elétrica.

O fluido, batizado de CryoSolplus, absorve o calor de forma mais eficiente do que a água ou o ar e pode permitir conjuntos menores de baterias debaixo do capô, de acordo com uma equipe de pesquisadores do Instituto Fraunhofer para Tecnologia de Meio Ambiente, Segurança e Energia.

Um conjunto novo de baterias para carro elétrico pode custar até metade do preço do veículo e pode ter a vida útil reduzida pela metade se operar a 45 graus Celcius, como num percurso normal durante um dia quente, em vez do máximo da zona de conforto entre 20 e 35 graus.

As baterias atuais ou não são esfriadas, inclusive nos modelos em que são retiradas para serem recarregadas, ou são esfriadas com ar.

O ar, dizem pesquisadores, não absorve muito o calor e exige um espaço maior para circular entre as baterias. A água conduz melhor o calor, mas exige um tanque maior de armazenamento.

Os cientistas do Fraunhofer dizem que a solução de CryoSolplus, uma mistura de água, parafina, anticongelante e um agente estabilizador, pode absorver três vezes mais calor do que a água, além de exigir um tanque de armazenagem menor e diminuir peso e espaço.

Eles planejam testes em um veículo experimental, mas acreditam que um sistema que usa CryoSolplus custará entre 50 e 100 euros a mais do que um que usa água.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Vacina contra obesidade alcança resultados magros

vacina obesidade in6.com.br

Vacina contra obesidade alcança resultados magros

Somatostatina

Pesquisadores testaram em camundongos uma possível "vacina" para a perda de peso.

O experimento, feito com sucesso relativo, usou uma vacina à base de hormônios.

A somatostatina é um composto que inibe a ação do hormônio do crescimento (GH) e da IGF-1, uma proteína similar à insulina.

Os dois aumentam o metabolismo, resultando em perda de peso ou na redução do ganho de peso.

Inibição natural

O que os pesquisadores fizeram foi preparar uma vacina contendo uma somatostatina modificada, que faz com que o corpo gere anticorpos para a somatostatina natural.

Isso resultou na remoção da inibição natural, sem interferir diretamente com o hormônio do crescimento, resultando em um maior gasto energético e, consequentemente, na perda de peso.

Os efeitos não foram milagrosos, mostrando que os animais que tomaram a vacina tiveram uma redução de até 10% no peso corporal em comparação com animais que não tomaram a vacina - os dois grupos foram alimentados com dietas gordurosas.

Vacina contra obesidade

"Este estudo demonstra a possibilidade de tratar a obesidade com vacinação," defende Keith Haffer, um dos autores da pesquisa.

"Embora sejam necessários mais estudos para descobrir as implicações de longo prazo dessas vacinas, o tratamento da obesidade humana com vacinação poderia dar aos médicos uma alternativa sem medicamentos e sem cirurgia," concluiu.

Por que nossa pele se renova mas outros órgãos não?

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Rejuvenescimento da pele

Por que nossa pele é capaz de se reconstruir continuamente, enquanto outros órgãos, uma vez danificados, podem nos levar a situações incontornáveis?

Essa questão parece estar começando a ser respondida, graças ao trabalho do Dr. George Sen, da Universidade da Califórnia (EUA).

Ele e sua equipe descobriram como as células epidermais progenitoras e as células-tronco da pele controlam os fatores de transcrição para evitar uma diferenciação prematura.

É isso que preserva sua capacidade para produzir novas células da pele ao longo de toda a nossa vida.

A descoberta pode ajudar a desenvolver novos medicamentos ou terapias voltados não apenas para doenças da pele, mas também para outras condições onde os dois tipos de células - progenitoras e células-tronco - estão envolvidas.

Células-tronco e células progenitoras

As células-tronco são células capazes de se replicar continuamente, transformando-se em qualquer outro tipo de célula, um processo conhecido como diferenciação.

As células progenitoras são mais limitadas, tipicamente diferenciando-se em um tipo específico de célula, e capazes de se dividir apenas um número limitado de vezes.

Células-tronco epiteliais começam a revelar seus segredos

Para renovar a pele ao longo da vida, as células-tronco e as células progenitoras produzem células chamadas queratinócitos, que vão "subindo" pelas camadas da pele à medida que esta se desgasta. Todos os queratinócitos serão descartados a seu tempo.

A chave para esse "rejuvenescimento" contínuo da pele está no exossoma, um complexo proteico envolvido na degradação do RNA.

Exossoma

O exossoma é uma coleção de cerca de 11 proteínas responsáveis pela degradação e reciclagem de diversos elementos do RNA.

Isso inclui o RNA mensageiro, que se desgasta ou que contém erros resultantes da tradução de proteínas disfuncionais, que poderiam potencialmente ser deletérios para a célula.

"De forma simplificada, o exossoma funciona como um sistema de vigilância nas células, regulando o ciclo normal dos RNAs, assim como destruindo RNAs com erros," explicou o Dr. Sen.

Fator de transcrição

Os cientistas descobriram que, na epiderme, o exossoma alveja e destrói m RNAs que codificam fatores de transcrição que induzem a diferenciação.

Mais especificamente, o exossoma degrada um fator de transcrição chamado GRHL3 nas células progenitoras epidermais, mantendo-as indiferenciadas.

Quando recebem o sinal para se diferenciar, as células progenitoras perdem a expressão de determinadas subunidades do exossoma, o que leva a níveis mais elevados da proteína GRHL3.

Este aumento nos níveis da GRHL3 promove a diferenciação das células progenitoras.

"Sem um exossoma funcional nas células progenitoras," disse Sen, "as células progenitoras iriam se diferenciar prematuramente devido a níveis mais elevados de GRHL3, resultando na perda de tecido epidérmico ao longo do tempo."

Buraco mais fundo da Terra começará a ser perfurado

Buraco mais fundo da Terra começará a ser perfurado

Desde meados do século 20, os geólogos têm realizado furos cada vez mais profundos na crosta terrestre, tanto na terra quanto nas profundezas do oceano.

Embora os estudos de sismologia e geologia venham se aprimorando, nada pode substituir uma observação direta das partes mais íntimas do nosso planeta.

Contudo, os pesquisadores ainda não conseguiram chegar nem perto do manto.

Talvez eles consigam agora, conforme entra em ação um plano ousado cujo objetivo é alcançar o interior viscoso do nosso planeta.

Veja abaixo como tem sido esta saga em busca da observação das profundezas da Terra.

Primeira tentativa: Projeto Mohole, Baja California

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Na década de 1950, cientistas norte-americanos tentaram fazer perfurações para obter amostras do manto, depois que um grupo de geólogos reunidos em um bar chegou à conclusão de que valia a pena tentar.

Eles chamaram a ideia de Projeto Mohole.

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A perfuração começou na costa da Califórnia, mas o projeto foi cancelado por um ainda jovem Donald Rumsfeld, depois de atingir apenas 183 metros da superfície.

Mais profundo em terra: Kola Superdeep Poços, Rússia

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Desde então, as perfurações têm ido muito mais fundo.

O mais profundo poço do mundo em terra alcançou 12.262 metros da superfície, em uma região remota do noroeste da Rússia.

Ainda assim, isto é apenas cerca de um terço do caminho até o manto, porque a crosta continental tem dezenas de quilômetros de espessura.

Maior furo: Sakhalin-I, Rússia

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Em 2011, a companhia petrolífera Exxon Mobil alegou ter feito o maior furo de sondagem do mundo, com 12.345 metros.

Tudo certo, só que o poço não foi perfurado verticalmente, ou para baixo.

O objetivo era a extrair petróleo mais perto da superfície, e não alcançar o manto.

Mais próximo do manto: Buraco 1256D, Costa Rica

Aquele que mais próximo chegou do manto até hoje foi o furo de sondagem 1256D, perfurado por cientistas ao largo da costa oeste da Costa Rica.

Ele atinge 1.507 metros abaixo do fundo do oceano.

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É o mais próximo do manto porque estima-se que a espessura da crosta terrestre neste ponto esteja entre 5 e 5,5 km, uma das mais finas de toda a Terra.

Apesar disso, ele não é o buraco mais profundo na crosta oceânica.

Esse título vai para outro buraco, chamado 504B, no leste do Pacífico, que alcança 2.111 metros abaixo do fundo do mar.

Ele está mais longe do manto porque, nesse ponto, a crosta é mais grossa.

A caminho do manto: Projeto Mohole

Está tudo pronto a bordo do navio japonês Chikyu para começar a perfuração.

Os geólogos estão agora embarcando em um dos esforços mais ambiciosos de exploração na história das ciências da Terra: uma missão para coletar um punhado de rochas do manto.

Uma broca a bordo do navio japonês Chikyu irá penetrar na crosta em um de três locais possíveis: Baja Califórnia, no Havaí ou na costa da América Central.

O projeto foi batizado de Mohole, em homenagem à ideia inicial, nascida da coragem de um grupo de amigos na mesa de um bar.

Quem sabe, desta vez, não surja outro burocrata para desligar a broca a meio caminho.

Brasileiros descobrem novas surpresas sobre o colesterol

Brasileiros descobrem novas surpresas sobre o colesterolhdl colesterol_www.in6.com.br

Enigmas do colesterol

A sigla HDL, popularmente conhecida como "colesterol bom", tornou-se familiar até para quem não é da área da saúde depois que diversos estudos demonstraram a importância dessa lipoproteína na prevenção da aterosclerose e das doenças cardiovasculares.

Acreditava-se que o efeito protetor da HDL fosse devido principalmente à sua capacidade de roubar o colesterol presente na parede das artérias e carregá-lo de volta para o fígado, para ser reaproveitado ou excretado.

Mas pesquisas recentes têm demonstrado que a função do colesterol é bem mais complexa - afinal, nada em nosso organismo pode ter uma função essencialmente "ruim".

Assim, agora se sabe que o "bom colesterol" também tem seu lado ruim, que o "colesterol ruim" tem seu lado bom e até que "colesterol bom" pode virar "colesterol ruim".

Agora, uma pesquisa recém-concluída na Universidade de São Paulo (USP) revelou que as concentrações dessa lipoproteína no sangue influenciam também a síntese e a absorção do colesterol no organismo, além de estarem associadas à ação da insulina no metabolismo da glicose.

Os dados foram publicados na revista Clinica Chimica Acta.

Efeito inverso

A pesquisa mostrou que os voluntários com HDL baixo sintetizam mais colesterol, mas absorvem menos essa substância pelo intestino.

Já os participantes com HDL alto sintetizam menos colesterol, mas absorvem mais pelo intestino.

"Esse dado nos surpreendeu e nos pareceu incongruente", afirmou Quintão. Isso porque os estudos epidemiológicos mostram que pessoas que absorvem mais colesterol pelo intestino têm mais risco de sofrer infarto.

"É estranho que essas pessoas que absorvem mais colesterol sejam justamente aquelas com HDL alto", disse.

Também surpreendeu os pesquisadores o fato de os voluntários com valores baixos de HDL apresentarem menor sensibilidade à ação da insulina quando comparados aos voluntários com HDL alto. Isso foi avaliado ao se relacionar a concentração de insulina com a de glicose no sangue em pessoas em jejum.

"Identificamos esse processo de resistência à insulina em um estágio bem precoce. São pessoas saudáveis, sem sintomas e com IMC normal. Não sabemos se daqui a dez anos haverá maior frequência de diabetes nesse grupo. É uma possibilidade de estudo de longo prazo que se abre", disse Quintão.

Dados da literatura científica reforçam a hipótese de que quanto mais elevado o HDL no sangue melhor é o aproveitamento da insulina produzida no pâncreas no metabolismo da glicose em tecidos periféricos.

Papel do colesterol no corpo

"Compreender melhor o papel da HDL no metabolismo do colesterol é fundamental, pois o benefício causado pelo aumento dessa lipoproteína no sangue supera o malefício causado pela elevação da LDL (o colesterol ruim)", afirmou Eder Quintão, coordenador da pesquisa.

Segundo Quintão, os medicamentos existentes para combater o colesterol atuam reduzindo a concentração de LDL (sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade) e de VLDL (sigla em inglês para lipoproteína de muito baixa densidade), que também têm a missão de levar colesterol aos tecidos, mas ao atravessarem a parede da artéria ficam presas e contribuem para a formação da placa aterosclerótica.

"O ideal seria desenvolver drogas capazes de aumentar a HDL no sangue. A dieta e o exercício têm pouco impacto nesse processo. A ingestão habitual de bebida alcoólica, embora eleve a HDL, provoca aumento de mortalidade por causas não cardiovasculares," disse o pesquisador.

Lipases

Os pesquisadores também investigaram várias proteínas e enzimas que regulam a produção de HDL no organismo, entre elas as lipoproteínas lipases.

"Essas enzimas quebram grandes partículas, como o VLDL produzido no fígado e os quilomícrons originados da gordura ingerida, em partículas menores como o LDL e o HDL", explicou Quintão.

A pesquisa mostrou que pessoas com baixo HDL têm quantidade menor de lipoproteína lipase periférica no sangue. "Isso sugere que os organismos desses indivíduos estão transformando uma parte menor do VLDL produzido e dos quilomícrons em HDL", disse.

Já quando se mediu a enzima lipoproteína lipase produzida no fígado, a relação foi inversa. Os voluntários com HDL baixo e maior resistência à insulina apresentaram atividades de lipoproteína lipase hepática mais altas

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Bóson de Higgs – E os canais de decaimento

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Canais de decaimento

De acordo com o Modelo Padrão, o Bóson de Higgs pode decair em pelo meia dúzia de diferentes padrões de trilhas, ou canais.

A probabilidade de cada caminho varia.

Por exemplo, há uma baixa probabilidade de que um Bóson de Higgs com massa equivalente a 100 bilhões de elétron-volts (100 GeV) de energia vá decair em um par de bósons W, portadores da interação fraca.

No entanto, se sua massa for de 170 GeV, a probabilidade de seu decaimento por este canal seria muito elevada.

Mas as medições anteriores, incluindo as feitas no ano passado pelo LHC, e as anunciadas ontem pelo Tevatron, já excluíram muitas massas possíveis para um Bóson de Higgs  dentro do Modelo Padrão.

Com base nisso, espera-se detectar algum sinal por volta de 125 ou 126 GeV.

Esses dois canais envolvidos, chamados de canal de dois fótons e canal de quatro léptons, certamente não são as rotas de decaimento mais prováveis.

Segundo Beate Heinemann, dos Laboratórios Berkeley, "a probabilidade que um Bóson de Higgs  de 125 GeV decaia em dois raios gama é de cerca de dois décimos de um por cento, e a probabilidade de que ele decaia em quatro múons ou elétrons é ainda menor."

Ou seja, os físicos encontraram um sinal em um lugar muito improvável.

Encontrar a música no ruído

A chave de tudo - de todas as interpretações das todas as medições de todos os canais dos detectores ATLAS e CMS - é o ruído de fundo.

Mesmo que os canais de dois fótons e quatro léptons tenham uma probabilidade baixa, eles são relativamente livre de ruídos, sinais produzidos por detritos de outras partículas que obscurecem as evidências em outros canais.

Veja: 

As rotas mais prováveis para o decaimento de um Bóson de Higgs  com massa próxima a 125 GeV seria o de um quark bottom e um antiquark bottom, ou um par de bósons W, ou um par de partículas tau - mas todos eles são muito mais difíceis de detectar.

"Pacotes de prótons cruzam na frente uns dos outros 20 milhões de vezes por segundo dentro do detector ATLAS, com uma média de 20 colisões em cada cruzamento," explicou Heinemann.

Filtros eletrônicos selecionam automaticamente os eventos, reduzindo-os para cerca de 100.000 por segundo, apontados como de possível interesse.

Softwares sofisticados reduzem ainda mais a seleção, para algumas centenas de eventos por segundo, que são então gravados e armazenadas para estudos posteriores.

Vários físicos criticam essas técnicas, dizendo que o LHC está jogando fora dados demais, que poderiam conter alguma coisa interessante.

"Nós tentamos manter tudo o que alguém poderia pensar que poderia ser interessante," defende Heinemann.

Ou seja, o problema não é só saber o que, mas também onde procurar - ainda que isso lembre a lenda na qual o herói perdeu a agulha dentro de casa, mas resolveu procurá-la lá fora por estar mais claro.

Há algo lá

É com base nessa seleção, de dois canais de baixa probabilidade, mas mais fáceis de entender, que os cientistas tiraram suas conclusões que serão anunciadas na madrugada desta quarta-feira.

Analistas consideram difícil que o fator sigma 5, necessário para estabelecer uma descoberta, tenha sido superado.

Mas ainda que seja, o que eles terão realmente observado, será o Bóson de Higgs ?

Difícil responder, mas virtualmente impossível de responder com certeza.

A revista Nature publicou ontem uma reportagem cujo título é: "Físicos encontram nova partícula, mas será o Higgs?"

"Ok, há algo lá - uma ressonância," disse Martinus Veltman, da Universidade de Michigan, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1999. "Agora nós teremos que descobrir se ela tem todas as propriedades que se supõe que o Bóson de Higgs  tenha."

Bóson de Higgs como os fisicos o procuram

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Pode não ser o Bóson de Higgs?


Os dados foram coletados pelos dois maiores detectores do LHC, o (A Toroidal LHC Apparatus) e o CMS (Compact Muon Solenoid).


Tudo indica que serão anunciados "fortes indícios" da existência da Partícula de Deus.


Contudo, qualquer que seja o sigma alcançado pelos resultados - é necessário superar 5 para ser considerado uma descoberta - tudo o que os físicos poderão dizer será: "Há algo lá."


Mas será mesmo o Bóson de Higgs? Pode ser. E pode não ser.


Mas por que, com tanto alvoroço, e depois de tantas pesquisas, eles não conseguirão ter certeza?


Para entender isso, é necessário ter ao menos uma vaga ideia do que seja o Bóson de Higgs, a Partícula de Deus, e como os físicos tentam encontrá-la.


Por que as partículas têm massa?


Um bóson de Higgs é uma excitação, uma ressonância - uma representação fugaz, elusiva - do campo de Higgs, que se acredita estender por todo o espaço e dar massa a todas as outras partículas.


No instante do Big Bang, era tudo uma coisa só, um estado de simetria, que durou praticamente tempo nenhum, tendo sido imediatamente quebrada.


Partículas de matéria, chamadas férmions, emergiram desse mar de energia (massa e energia sendo intercambiáveis), incluindo os quarks e os elétrons, que iriam, muito mais tarde, formar os átomos.


Juntamente com eles vieram partículas carreadoras de força, chamadas bósons, que iriam ditar as inter-relações entre todas as partículas. Todos os bósons tinham massas diferentes - em alguns casos, massas muito diferentes.


Usando os conceitos de campo de Higgs e Bóson de Higgs, o Modelo Padrão da Física explica porque os quarks, prótons, elétrons, fótons, e um enorme zoológico de outras partículas têm as massas específicas que eles apresentam hoje.


Como reconhecer o Bóson de Higgs


Estranhamente, no entanto, o Modelo Padrão não consegue prever a massa do próprio Bóson de Higgs - isso só pode ser feito experimentalmente.


E é isso que os cientistas do LHC e do finado colisor Tevatron, nos Estados Unidos, estão tentando fazer.


O problema é que está muito longe de ser simples saber quando o Bóson de Higgs terá sido realmente encontrado.


Qualquer partícula que contenha tanta energia quanto o Bóson de Higgs dura apenas uma fração minúscula de um segundo, antes de se desfazer em outras partículas - um processo chamado decaimento -, cada uma com energia menor.


E mesmo estas resultantes decaem em partículas com energia ainda menor, até finalmente deixarem um rastro que os detectores ATLAS ou CMS conseguem enxergar - ou inferir.

domingo, 8 de julho de 2012

O que é RFID?

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Para além de sua imaginação, em breve, isso será possível no mundo real. RFID a tecnologia que viabilizará essa conveniência para o cliente está chegando a uma velocidade surpreendente. Na sigla em inglês, como é conhecido mundialmente, chama-se RFID (Radio Frequency Identification), e pode ser entendido em português como sistema de identificação por radiofrequência.

Atualmente, o que supre parcialmente o papel do RFID é o código de barras, impresso em quase tudo o que consumimos em nosso dia a dia. No supermercado, na loja ou na farmácia, por exemplo, o caixa, por vezes diante da nossa impaciência, passa o leitor óptico (scanner) item por item para ler o código de barras.

RFID automatiza processos em supermercados Na década de 1990, apogeu do “revólver” da remarcação, que disparava etiqueta para tudo quando era lado em lojas e supermercados, o caixa conferia preço por preço e digitava na registradora. Pois nessa mesma época, era introduzido o código de barras no País, uma verdadeira revolução na administração do varejo.

Revolução na modernidade

Afinal, por que essa viagem no tempo para falar de uma nova tecnologia? Porque o RFID será uma nova revolução cotidiana igualmente aqui, como sucede em diversos países.

Também conhecido como etiqueta eletrônica inteligente, os números do mercado de RFID no mundo são cada vez mais crescentes. Segundo a , a receita global dessa tecnologia, incluindo todos os tipos de aplicações, movimentará US$6 bilhões este ano. O relatório da empresa de pesquisas afetou o mercado do RFID e que este só retomou o crescimento no fim de 2009, quando a indústria como um todo voltou a vender.

O uso da radiofrequência vem crescendo, principalmente no rastreamento de bens e sistemas de localização em tempo real. Segmentos com a moda e calçados, saude, governo, eventos, transporte e logística, entre outros ramos de atividade, estão adotando o RFID.

O preço das etiquetas, dos leitores de tags, do middleware, o custo de desenvolvimento e integração vm caindo sensivelmente no Brasil e no mundo nos últimos anos. Há cerca de dois anos, o modelo mais simples de uma tag RFID custava em terno R$ 1,70. Hoje, custa em torno de R$ 0,55. O custo do hardware também vem decrescendo, e se fala numa redução de 40% no valor do produto nos últimos anos.

Custo no Brasil é alto

“Os preços caíram drasticamente e podem cair ainda mais, dependendo dos volumes de etiquetas inteligentes (tags) que se pretende utilizar”, salienta Gilberto de Paula Souza, diretor de Arquiteturas Técnicas da Motorola Solutions do Brasil. Ele considera possível adquirir etiquetas com preços de até R$ 0,09. É claro que esse valor ainda é inviável para itens de baixo valor agregado, mas em itens de maior valor, como caixas e pallets, é totalmente aplicável, sem gerar custos significativos. “Se analisamos a redução nos últimos 2 a 4 anos, veremos que nos leitores de tags, por exemplo, a redução foi da ordem de 2005, em media, e nas etiquetas, mais de 7005”, analisa.

Mais enfático, Pedro Goyn, diretor-geral da , defende os preços e pondera que: “não podemos afirmar que RFID é uma tecnologia cara, pois o principio da análise do preço não deve ser focalizado somente no custo na implementação, mas os benefícios da rentabilidade e controle proporcionados pela implantação de uma solução de rastreabilidade”. E prosseguindo no raciocínio, Goyn afirma ter havido, nos últimos anos, uma redução ainda não totalmente mensurada de aproximadamente 2005 no valor do tag passivo.

“Mauricio Nozaki, diretor de engenharia RFID da Oxxcold, ressalta que o custo de um projeto de radiofrequência caiu pela metade em relação há quatro anos.” Sem contar que atualmente o mercado dispõe de soluções, equipamentos robustos, ótimo nível de integração e serviços de excelência para oferecer aos clientes que planejam implementar o RFID”, lembra.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Estudo revela gripe aviária transmissível entre mamíferos

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A revista "Science" divulgou na quinta-feira (21), depois de meses de expectativa, os detalhes de uma pesquisa que tornou o vírus da gripe aviária transmissível entre mamíferos.


O artigo traz os resultados de um dos grupos de pesquisadores "censurados" no ano passado pelo governo americano. O país pediu que os estudos ficassem em segredo por temer que fossem usados no bioterrorismo. Um dos trabalhos já saiu na "Nature".


No estudo divulgado agora, cientistas dos EUA, do Reino Unido e da Holanda mostram como modificaram geneticamente o vírus H5N1, que causa a gripe aviária, até torná-lo transmissível por via área em ferrets --mamíferos que têm sintomas da gripe semelhante a dos humanos.


Na sua "forma original", esse vírus só é transmitido entre aves ou, raramente, de aves para seres humanos.


Os cientistas, coordenados por Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, da Holanda, fizeram três mutações específicas no vírus e infectaram os ferrets em laboratório.


O vírus modificado ainda sofreu mais duas mutações -- o que é comum, pois vírus são bastante instáveis, diferentemente de bactérias. Foi esse "novo" vírus que conseguiu migrar por via aérea dos ferrets contaminados para os sadios.


O problema é que essas informações são um prato cheio para o bioterrorismo. A preocupação com uma possível guerra biológica levou à censura dos dados sobre a mutação em dezembro de 2011.


As pesquisas foram interrompidas e o debate chegou à OMS (Organização Mundial da Saúde), que pediu que a caixa-preta fosse aberta.


"Fazer mutações em vírus em laboratório para fins acadêmicos é completamente aceitável. Não podemos parar essas pesquisas por temor de bioterrosimo", afirma o engenheiro agrônomo e especialista em bioética Mohamed Habib, da Unicamp.


"Agora, pesquisadores de todo o mundo poderão trabalhar com os dados da gripe aviária e aprimorar o conhecimento sobre o vírus, o que pode resultar em melhores medicamentos", comemorou Bruce Alberts no editorial desta edição da "Science".


RISCO DE PANDEMIA


De acordo com outro trabalho da "Science" sobre o mesmo assunto, de Derek Smith e colegas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, é impossível estimar com precisão a possibilidade de as mutações feitas em laboratório acontecerem naturalmente no ambiente.


Mas o estudo sugere que todas as mutações necessárias para contaminar um mamífero poderiam acontecer em um único hospedeiro na natureza. Isso, sim, sinaliza um risco de pandemia.

Viagem ao coração de um buraco negro

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O que acontece com quem cai num buraco negro? Imagino que muitos de vocês perderam muitas horas de sono com isso. Especialmente agora, quando sabemos que existe um buraco negro gigante no centro da maioria das galáxias, inclusive na nossa, um monstro de 4 milhões de massas solares. No dia 13 de junho, a sonda espacial NuSTAR -equipada com um telescópio que detecta raios X- foi lançada para examinar em detalhe o que ocorre no nosso gigantesco ralo cósmico.


Segundo a teoria da relatividade geral de Einstein, a gravidade pode ser explicada como resultado da curvatura do espaço em torno de um objeto com massa: quando maior a massa do objeto, mais curvo o espaço à sua volta, e maior sua atração sobre corpos vizinhos. Quanto mais curvo o espaço, mais difícil é escapar da sua gravidade.


O buraco negro é o caso no qual o espaço é tão curvo que nada escapa de sua atração, nem mesmo a luz. Para "ver" um buraco negro é preciso olhar para o entorno dele.


Para Einstein e a maioria dos físicos, os buracos negros são um grande desafio. A maioria deles são restos de estrelas que, ao morrer, implodem como balões furados. O problema é que, durante a implosão, a gravidade vai ficando cada vez mais forte. E a implosão não para. No centro da estrela em colapso se forma uma "singularidade", um ponto onde a gravidade é infinitamente forte e as leis da física deixam de fazer sentido.


A singularidade é circundada pelo "horizonte", a esfera que separa a estranheza do buraco negro do mundo exterior. Se você ultrapassar o horizonte, nunca mais escapa: seu destino é continuar até a singularidade, onde será triturado por completo. Mas não há nada a temer, pois bem antes disso seu corpo será esticado feito espaguete e rasgado.


Einstein nunca gostou de teorias que deixam de fazer sentido. Em 1935, escreveu um artigo com Nathan Rosen no qual sugeriu que o centro de um buraco negro é uma ponte para outro local no Universo (ou mesmo para outro universo), e que do outro lado existe um "buraco branco", o oposto do buraco negro, um ponto de onde surge matéria, como uma cornucópia cósmica.


Esses "buracos de minhoca", como ficaram conhecidas as pontes de Einstein-Rosen, vêm inspirando incontáveis histórias e filmes de ficção científica, pois, em princípio, permitem viagens a velocidades maiores do que a da luz. Infelizmente, fora a total falta de evidência de buracos brancos, para manter as duas bocas do buraco de minhoca abertas é necessário um tipo de matéria que tem energia "negativa", até hoje nunca vista.


A coisa piora se a teoria de Stephen Hawking, que prevê que buracos negros evaporam lentamente, estiver correta. Afinal, se evaporarem, tudo o que resta é a singularidade nua, o ponto absurdo. Horrorizados, físicos propuseram que algo protege essa nudez, a Conjectura de Censura Cósmica.


Qualquer que seja o destino da singularidade, é incrível que buracos negros tenham sido inventados antes de ser descobertos, um casamento quase mágico da imaginação com o Cosmo. É como se a natureza nos dissesse: arrisquem mesmo, sonhem alto. E estejam sempre abertos para o inesperado, pois ele está sempre à espreita.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Selim com suspensão ativa é feito com músculos artificiais


Amortecedor ativo


Não é necessário andar por uma rua de paralelepípedos para sentir desconforto no selim de uma bicicleta: basta experimentar o asfalto da maioria das cidades brasileiras.


Engenheiros do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, acreditam ter encontrado uma solução melhor do que os elastômeros usados hoje para acolchoar os selins.


A equipe do Dr. William Kaal criou uma espécie de elastômero ativo, um material no qual são incorporados músculos artificiais capazes de reagir rapidamente às vibrações, funcionando com um amortecedor.


Da mesma forma que um tenista diminui a velocidade da bola puxando a raquete para trás na hora da rebatida, o elastômero ativo tira energia das vibrações movendo-se alternadamente num e noutro sentido.


Teoricamente é possível dissipar completamente as vibrações usando esse mecanismo, embora os resultados tenham sido excelentes com bem menos do que isso.


Pilha atuadora


Os músculos artificiais, ou polímeros eletroativos, são materiais elásticos que mudam de forma sob a ação de um campo elétrico.


Para contrabalançar vibrações, o truque é usar uma corrente alternada, o que faz com que o próprio músculo artificial vibre no sentido oposto.


Para coordenar os dois movimentos, de forma a anular as vibrações vindas do solo, é usado um sistema composto de um sensor, para detectar as vibrações, e um circuito eletrônico para controlar a forma de onda da corrente alternada, que controla a "contra-vibração" do músculo artificial.


O protótipo tem 40 camadas de polímeros eletroativos, formando o que o pesquisador chama de "pilha atuadora".


Selim com suspensão ativa


"A grande dificuldade foi projetar os eletrodos necessários para aplicarmos o campo elétrico a cada uma das camadas," conta Kaal.


Eletrodos de metal comum são rígidos demais, e atrapalhavam a deformação das camadas de músculos artificiais. Mas Jan Hansmann, outro membro da equipe, encontrou a solução.


"Nós fizemos furos microscópicos nos eletrodos. Quando a tensão elétrica deforma o elastômero, então ele pode se dispersar por esses furos," conta Hansmann.


O resultado é um atuador com a espessura similar à da cobertura de um selim de bicicleta, mas capaz de subir e descer várias vezes por segundo, dando um conforto muito maior: um autêntico selim com suspensão ativa.


Coxins ativos


O resultado foi tão bom que os engenheiros já falam em usar seu dispositivo antivibração em automóveis, por exemplo, substituindo os coxins do motor e da suspensão.


Além disso, o funcionamento da pilha atuadora pode ser invertido: em vez de produzir vibrações para manter sua superfície estável, ela pode absorver as vibrações e gerar energia, abastecendo equipamentos em locais de difícil acesso.


Parece que, depois que descobriram como a bicicleta funciona, os engenheiros decidiram dar um banho de tecnologia nas magrelas: além do selim com suspensão ativa agora criado, elas já contam com sistema regenerativo de energia, câmbio automático e freio wireless.


E, para quem não se contenta em pedalar, logo estarão disponíveis bicicletas elétricas alimentadas a hidrogênio, e até uma bicicleta voadora.

Cérebro controla movimento usando ritmos musicais


Cérebro controla movimento usando ritmos musicais


Cérebro musical


O funcionamento do cérebro humano é muito mais harmônico do que os neurocientistas acreditavam.


Antes visto como uma rede onde sinais elétricos seriam enviados ao longo de fios biológicos - e por isso comparado com os computadores - as pesquisas mais recentes vêm mostrando um cérebro, por assim dizer, muito mais artístico.


Primeiro se descobriu que o cérebro transmite informações em várias frequências, que lembram muito as estações de rádio.


No final do ano passado, em uma descoberta que mudou completamente a visão que se tinha da chamada atividade neural, que era vista como uma sequência homogênea de pulsos elétricos, cientistas descobriram que nosso cérebro toca sua própria música.


Uma música, aliás, que já está sendo usada para a elaboração de novas explicações sobre a esquizofrenia.


Ritmo dos neurônios


Agora, uma equipe da Universidade de Stanford (EUA) descobriu que os movimentos físicos do corpo humano não são controlados pelo cérebro como se este acionasse interruptores que ligassem motores.


Na verdade, os pesquisadores demonstraram que a atividade cerebral que controla o movimento não codifica nenhuma informação espacial externa - como a direção, a distância ou a velocidade com que um braço, por exemplo, deve se mover.


Em vez disso, a atividade neural que controla os movimentos é rítmica por natureza - o córtex motor é um gerador de dinâmico de padrões, e não uma chave liga-desliga dos "motores musculares".


O sinal elétrico que chega ao músculo é um amálgama dos ritmos compostos não por neurônios que ligam e desligam, mas por neurônios que oscilam ritmicamente.


A descoberta de Krishna Shenoy, Mark Churchland e John Cunningham desmonta as teorias atuais sobre o controle dos movimentos pelo cérebro, com largas implicações para a neurociência.


Ritmo cerebral


Os neurocientistas consideravam que os neurônios do córtex motor - aqueles que controlam todos os movimentos do corpo humano - seriam semelhantes aos neurônios ligados à visão, que transmitem uma espécie de mapa, uma representação das cenas do mundo ao nosso redor. Mas essa consideração estava incorreta. "Nossa principal descoberta é que o córtex motor é um gerador flexível de padrões, e envia sinais rítmicos ao longo da medula espinhal," explica o Dr. Churchland.


Assim, em uma analogia com um automóvel, os neurônios não são como o volante, que vira as rodas para um lado ou para o outro - ou os braços, as pernas etc.


Cada neurônio é como uma peça do carro, e apenas o seu funcionamento em conjunto - um funcionamento ritmado, em que cada um cumpre uma tarefa particular - consegue explicar o movimento final resultante.


Segundo os pesquisadores, "a população inteira dos neurônios oscila de um modo maravilhoso e perfeitamente coordenado".


"Cada neurônio se comporta como um músico em uma orquestra. Quando os ritmos de todos os instrumentistas de toda a orquestra são tomados em conjunto, emerge um movimento fluido e preciso," disse Churchland.


"O ritmo é o bloco fundamental com que se constrói o movimento," conclui ele.

Medicamento inteligente elimina efeitos colaterais

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Esteroides glicocorticoides


Cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, afirmam ter descoberto uma forma de usar esteroides glicocorticoides em um tipo de medicamento inteligente que atinge apenas as células relevantes, evitando efeitos colaterais.


Os dados são baseados em estudos em animais, mas se este princípio puder ser traduzido para os seres humanos, isso poderá melhorar significativamente os tratamentos agressivos feitos hoje com este tipo de esteroide muito potente.


Esta é a principal perspectiva oferecida pela pesquisa publicada na revista Molecular Therapy, ligada à Nature.


Contra a imunidade


Os esteroides glicocorticoides sintéticos são usados em muitas doenças agudas e inflamatórias crônicas, incluindo doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.


São os medicamentos anti-inflamatórios mais potentes que se dispõe hoje, mas a sua utilização é dificultada por conta dos efeitos colaterais graves, tais como a osteoporose, a perda de massa muscular, o diabetes e a danos ao sistema imunológico.


Os novos dados mostram que é possível direcionar esses medicamentos diretamente para as células imunológicas que eles devem alvejar.


Essas células desempenham um papel crucial na inflamação e seu efeito nocivo sobre os tecidos circundantes é fortemente atenuado pelos esteroides glicocorticoides.


Acoplamento celular


A nova técnica baseia-se no acoplamento do esteroide a um anticorpo que se liga especificamente a um receptor expresso exclusivamente na superfície dos macrófagos - células do sistema imunológico.


Os receptores normalmente ligam-se à hemoglobina, mas são também capazes de recobrir a droga. Nas células, o esteroide ativo é liberado, podendo executar seu trabalho, que é essencialmente a regulação de um gene.


Deste modo, o fármaco funciona apenas nas células relevantes, e pode-se aplicar uma dose muito menor para se obter a eficácia esperada.

Computador químico pode resolver mistérios da geometria

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O professor de ciência da computação Adrew Adamatzky, da Universidade de West England, Bristol, Inglaterra, está tentando criar um computador baseado em reações químicas. Sua invenção será diferente dos aparelhos comuns, baseados no circuito de elétrons em meio a silício.


Segundo ele, a mistura de alguns elementos químicos na forma da reação de Belousov-Zhabotinsky, ou reação BZ, que propaga ondas perpétuas, pode ser usada para criar saídas lógicas e ter a performance de computação rudimentar. "Quando as ondas colidem, elas podem morrer ou mudar de direção, e nós podemos interpretar isso como computação", diz Adamatsky.


O cientista e seus colegas descobriram que "computadores químicos" podem resolver certos problemas da geometria computacional. Estes computadores são como "coleções" de pequenas bolsas de elementos químicos, chamadas vesículas, que podem produzir e combinar ondas da reação BZ. Uma tentativa anterior usou grades hexagonais de vesículas, contudo, foi muito difícil construir um arranjo tão regular. Por isso, Adamatzky decidiu tentar a sorte com vesículas irregulares.


Eles perceberam que seu computador poderia calcular o diagrama Voronoi, uma tarefa que envolve descobrir quais pontos em uma tela plana se aproximam mais de determinada forma. Isto pode parecer um pouco arbitrário, mas estes diagramas têm uma variedade incrível de aplicações, como mapear a cobertura de uma rede de postes de telefonia móvel.


Os resultados dos testes foram simulados em um computador tradicional, mas Adamatzky diz que sua equipe de pesquisadores está preparando outro artigo para detalhar os mesmos resultados no novo tipo de computador. "Nós poderiamos construir computadores para serem ligados ao corpo humano", disse ele.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Proteína produzida por algas impossibilita transmissão da malária

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Algas produzem proteína que impede transmissão da malária

Vacina contra a malária

Biólogos da Universidade da Califórnia (EUA) conseguiram produzir uma potencial vacina contra a malária fazendo engenharia genética em algas. Os testes iniciais com o composto produzido pelas algas indica que ele é capaz de evitar a transmissão da malária. Apesar de inúmeras tentativas em todo o mundo, ainda não existe uma vacina contra a doença.

Proteína 3D

Parte da dificuldade em criar uma vacina contra a malária está em que isso exige a sintetização de proteínas 3D muito complexas. Essas proteínas devem ser semelhantes às produzidas pelo parasita Plasmodium falciparum, de modo a forçar o desenvolvimento de anticorpos contra a doença. A maioria das vacinas criadas por bactérias geneticamente modificadas são proteínas relativamente simples, capazes de forçar o sistema imunológico a produzir anticorpos contra invasores bacterianos. As proteínas maiores produzidas até agora por esta técnica saem recobertas com açúcares, devido a um processo químico chamado glicossilação.

"A tendência é que o corpo crie anticorpos contra os açúcares, e não contra o núcleo central de aminoácidos da proteína do organismo invasor que você quer inibir," explica Stephen Mayfield, coordenador da pesquisa.

Vacina de comer

O que os pesquisadores fizeram agora foi, primeiro sintetizar a proteína sem os açúcares, e só depois fazê-la dobrar-se de forma a imitar a estrutura 3D do parasita da malária. Isso foi possível usando uma alga verde comestível, chamada Chlamydomonas reinhardtii. "É difícil dizer se essas proteínas são perfeitas, mas os anticorpos para as proteínas produzidas pelas algas reconhecem as proteínas nativas da malária e, dentro do mosquito, bloqueiam o desenvolvimento do parasita da malária, de forma que o mosquito não é mais capaz de transmitir a doença," disse o pesquisador. Segundo ele, o próximo passo é fazer testes para verificar se as proteínas produzidas pela alga também conseguem proteger o ser humano. E, em segundo lugar, se o efeito da proteína contra a malária é o mesmo quando a alga é injetada ou quando ela é ingerida pela alimentação.